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OS GRITOS VERTICAIS DA NATUREZA POÉTICA

Updated 2/19/2007
Updated 2/19/2007
2/19/2007

À BEIRA-MAR

(Rita Costa & André L. Soares 10.08.2006)
.
Convém camuflar
nas profundezas da alma
as palavras mais puras.
Fixar o olhar na areia macia
onde, a todo instante,
a espuma branca faz carícias.

Melhor seja que a brisa
– mistura de sal e maresia –
castigue os lábios em sorriso,
carregando pro mar
o mais leve sussurro,
pairando sobre as ondulações
as palavras proibidas.

Sendo assim,...
que só as aves marinhas
decifrem a poesia que existe
quando minhas lembranças,
façam aflorar dos sentidos
os desejos mais além...
mergulhando-as em sonhos,
no abissal das emoções...
como convém!
.
.



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HUMANO

(André L. Soares – 24.09.06 – Guarapari/ES)
.
Queria te falar sobre estrelas,
porém, desconheço as alturas.
Pensei em te ofertar minha pureza,
mas quem sou eu...
se cresci livre pelas ruas.

Pudera eu te contar boas histórias,
descrever uma vida sem agruras.
Sonhei em te cobrir de jóias,
mas, sou plebeu...
nunca tive ou quis alguma.

Bom se eu coubesse em teus sonhos
na exatidão da ordenada com abscissa.
Tentei ser só alma e coração,
juro, não deu...
sou de aço, pedra e fúrias.

Quisera eu não fosse assim, só erros
e a verdade brotasse em meus lábios.
Talvez, eu possa te salvar do tédio,
mas, se nem isso...
faz um esforço e me perdoa.

É que sou tão muito humano
– bem-dotado... de defeitos –
minha perfeição é sempre
ser complexo imperfeito.
E apesar desse jeito insensato
só uma coisa não aceito...
– ah isso não!!! –
é que duvides que te amo.
.
.

VERSOS VERTENTES

(Rita Costa – 10.11.06 – R. Janeiro/RJ)
.
O dia amanheceu cinzento,
fui lá fora ver a chuva.
A água que descia lavando a rua,
...precipitando a vida...
era torrencial,
transbordava nas frestas da calçada.
Frente às poças que se formavam,
tive a lembrança dos versos.
Num suspiro de saudade...
emergiu de minh’alma
uma enxurrada de palavras.
Enquanto chovia fiz rascunhos
na página nua das horas.
Um poema onde, em verdade,
sorvo uma gota da face,
resumindo o que senti e desejei...
da tua poesia dos verbos...
que ao ler,... sei...
estarem todos no plural.
.
.

VERBOS, POR TI

(André L. Soares – 09.11.06 – Guarapari/ES)
.
Revelar-me somente ante teu beijo,
dócil ato que espero, em desespero,
pois meu corpo te aguarda, novamente,
na distância de alguma madrugada,
para tomar-te em meus braços,
linda amante...
sem limites, sem tempo, sem ressalvas.

Dominar-te suave, cravando dentes
nessa pele em que já eriçam pêlos,...
e se as mãos limitam teus movimentos
liberdade te chega por entre orgasmos...
para fazer de ti, a minha mulher,
loucamente...
a andar sobre meus rastros.

Saciar-te os desejos mais ousados,
batizar novas loucuras com teu nome,
de tua carne jamais sentir-me farto,
a teus olhos ser rei, teu deus e homem...
tendo sempre em teu amor
meu horizonte...
fonte eterna de augusta felicidade.
.
.

RELATIVAMENTE...

(Rita Costa – 30.01.2007 – R. Janeiro/RJ)
.
Há hoje um silêncio
que é feito de horizontes.
Minha mente, antes nua,
percebendo preencheu-se
dessa poesia indispensável,
que vive além dos telhados.
Minha alma já sentiu
não haver urgência alguma
para as folhas amarelas
que se desprendem das árvores,
forrando as pedras das ruas.

Adoro esse silêncio...
nele palavras não se vergam,
voam reto em brancas nuvens,...
voltam leves aos meus dedos,
precedidas de altos sonhos.

Ah! Quem dera fosse
também indivisível...
o breve tempo das tardes,
onde todas as frases são versos
nos corpos entrelaçados.
.
.
 

RITA COSTA & ANDRÉ L. SOARES

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Dobrei a esquina, a poesia estava lá. Passei a mão pelos cabelos, fiz cara de conquistador barato e fui domar a fêmea. Mas, nunca foi fácil. Entre rimas – umas preciosas, outras nem tanto –, às vezes me é intangível. Persigo-a desde sempre. Superior, ri de mim. Desaparece meses. Aí, surge do nada, deita-se a meu lado e, antes que me dê conta, sai sem dizer adeus. Mas, há dias raros, em que aparece generosa e faz amor com minha verve. Então, não sou poeta. Sou amante da poesia que me esnoba (André L. Soares - Todos os direitos registrados).
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